Sindicato Independente dos Médicos

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Público: Concentrar urgências “aumenta riscos” e pode ditar desclassificação de serviços

5 março 2026

Público, 1 março 2026, Inês Schreck

O modelo de urgências regionais será alargado a especialidades como ortopedia e cirurgia geral, na sequência do anúncio feito pela ministra da Saúde no Parlamento. A medida prevê a concentração de valências em determinadas unidades hospitalares, levantando questões quanto ao impacto na organização dos serviços e na resposta às populações.

Em declarações ao Público, o Secretário-Geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Nuno Rodrigues, sublinha que o diploma das urgências regionais, publicado sem o apoio dos sindicatos, não acautela "a garantia de equipas completas e adequadas” às populações abrangidas, não prevê incentivos para médicos que terão de se deslocar até 60 quilómetros e não consagra o modelo como sendo de adesão voluntária.

Embora reconheça que possa haver concentração pontual em algumas áreas - "por exemplo, Urologia à noite” - o dirigente considera que alargar o modelo a outras especialidades pode representar um agravamento dos riscos. "A solução para a Península de Setúbal já não é a ideal, mas parece pouco avisado ter urgências regionais de ortopedia ou de cirurgia geral porque começamos a acumular risco”, afirma.

Segundo Nuno Rodrigues, esse risco está associado "à distância a que os doentes ficam das urgências”, podendo ter impacto significativo, sobretudo em situações de trauma. Recorda ainda que ortopedia e cirurgia são valências obrigatórias de um Serviço de Urgência Médico-Cirúrgico (SUMC). "Ao concentrar estamos a mudar a tipologia da urgência, isso é garantido”, alerta, referindo a eventual desclassificação dos serviços que percam essas valências.

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* Fotografia: Público