Sindicato Independente dos Médicos

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Saúde +: SIM considera reorganização das urgências regionais solução necessária, mas aponta falhas no modelo

12 março 2026

No programa Check-up, da Saúde +, o Secretário-Geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Nuno Rodrigues, comentou a reorganização das urgências regionais, nomeadamente na área da Ginecologia-Obstetrícia, na Península de Setúbal e na região de Loures.

Questionado sobre a possibilidade de recuo na decisão, o dirigente considerou que o processo está consolidado, recordando que a medida já foi anunciada, seguiu o percurso legislativo e não foi objeto de veto presidencial. A direção executiva terá, inclusive, indicado que a urgência de Loures abrirá em breve neste novo modelo.

Na perspetiva do SIM, esta reorganização é, no contexto atual, "uma solução absolutamente necessária”, tendo em conta os constrangimentos verificados e o número de urgências que têm estado intermitentemente abertas ou encerradas. O objetivo, sublinha, deve ser garantir maior estabilidade na resposta às grávidas, evitando a incerteza sobre onde recorrer em cada momento.

Sobre a Margem Sul, Nuno Rodrigues alertou para a maior complexidade da situação: "Não estamos a falar só da Península de Setúbal, estamos a falar também de todo o litoral alentejano”, recordando que o Hospital de Setúbal continuará a receber grávidas dessa região.
 
O dirigente admitiu que "concentrar atividade pode ser uma forma de garantir melhores condições nesta fase para as grávidas e para os recém-nascidos”, mas frisou que as propostas apresentadas pelos sindicatos não foram acolhidas. Entre as preocupações do SIM estão a necessidade de equipas com dimensão adequada à população abrangida, a criação de incentivos para os médicos que asseguram urgências de maior complexidade e a adoção de um modelo baseado na voluntariedade, aspetos que "não estão refletidos no decreto-lei”.

Por fim, defendeu que deveria ter sido apresentado um plano com indicadores claros que permitissem avaliar o impacto da medida: "Era essencial saber como estamos hoje em termos de mortalidade materna, neonatal precoce ou número de partos em ambulância, para depois podermos avaliar”, concluiu.