No programa Check-up da Saúde +, o Presidente do Conselho Nacional do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, analisou o Orçamento do Estado, cuja discussão está agora a iniciar-se, e debruçou-se sobre os desafios cruciais na retenção de profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Para o dirigente, a prioridade absoluta passa por garantir a valorização contínua dos profissionais, recordando o impacto positivo do acordo alcançado pelo SIM. Questionando a perspetiva de alguns economistas face ao aumento das despesas com pessoal, sublinhou que este crescimento decorre do reforço das equipas com mais médicos, enfermeiros e assistentes técnicos.
Com cerca de 46% da verba orçamental direcionada aos recursos humanos e 47% a bens e serviços, Jorge Roque da Cunha apontou o investimento como uma das principais preocupações. A este propósito, deu o exemplo dos meios complementares de diagnóstico, como as ecografias obstétricas e as mamografias, cujos valores desatualizados inviabilizavam a sua realização na prática, exigindo agora uma gestão rigorosa e otimizada dos recursos perante um orçamento mais restrito.
A par disso, e tendo em conta o arranque da escolha de especialidade, deixou um “apelo para as pessoas se qualificarem”, alertando contra a tentação de optar, a curto prazo, por remunerações horárias mais elevadas à custa de uma acentuada precariedade. Defendeu igualmente que os profissionais que construíram a carreira no SNS não podem ser ultrapassados salarialmente por quem opta por outros regimes.
Assinalando o recente pico de reformas, com a saída de cerca de 400 médicos e a entrada de 2000 no sistema, o dirigente apelou à confiança no SNS, lembrando as conquistas negociais recentes, como a possibilidade de contratos de 20 horas ou a redução para as 36 horas para os associados do SIM.
Por fim, expressando o desejo de ser reduzida a discrepância salarial face aos prestadores de serviços e os médicos do SNS, deixou um apelo claro ao bom senso aos prestadores e ao Ministério da Saúde, nomeadamente não ceder a chantagens. “Chantagens aqui nunca funcionam, nem da parte do Governo nem da parte dos prestadores”, concluiu.
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