O SIM decidiu não aderir à greve geral de 3 de junho, por entender que, no atual contexto, a defesa dos médicos exige uma estratégia própria, autónoma e centrada nas matérias concretas da carreira médica, do Serviço Nacional de Saúde e da contratação coletiva médica.
Em primeiro lugar, o SIM tem vindo a privilegiar uma linha de intervenção negocial responsável, exigente e consequente, centrada em resultados concretos para os médicos. Nos últimos anos, essa estratégia permitiu alcançar avanços relevantes em matérias como a valorização salarial, a integração de médicos fora da carreira, a redução progressiva do período normal de urgência hospitalar, a equiparação de direitos entre vínculos, a valorização dos internos e a regularização de matérias pendentes no âmbito da avaliação de desempenho.
Em segundo lugar, a greve geral tem um objeto amplo, dirigido ao conjunto das alterações laborais em discussão, mas não incide especificamente sobre o caderno reivindicativo médico nem sobre os problemas próprios da carreira médica. O SIM entende que a luta dos médicos deve ser travada com objetivos claros, identificáveis e diretamente relacionados com as condições de exercício da profissão médica.
Em terceiro lugar, o SIM considera que a dispersão da luta médica em greves gerais de natureza transversal pode diluir as reivindicações específicas dos médicos, que continuam a exigir respostas próprias: valorização da carreira médica, correção das injustiças remuneratórias, aplicação efetiva dos acordos celebrados, pagamento devido da dedicação plena e das escalas de Saúde Pública, reforço dos recursos humanos, revisão das condições de trabalho em urgência e proteção da formação médica.
Em quarto lugar, o SIM entende que a adesão a uma greve deve ser ponderada em função da sua utilidade concreta, do seu enquadramento estratégico e da capacidade de produzir resultados. A greve é um instrumento legítimo e importante, mas deve ser utilizada quando contribui de forma clara para reforçar a posição negocial dos médicos e não apenas como expressão genérica de protesto.
Em quinto lugar, o SIM mantém uma postura de independência sindical. Essa independência implica não subordinar a ação sindical médica a calendários, agendas ou estratégias definidas por outras estruturas, ainda que se reconheça a legitimidade das suas posições. O SIM define a sua intervenção a partir dos interesses dos médicos que representa.
Por fim, a não adesão do SIM a esta greve geral não significa passividade, concordância com todas as propostas em discussão ou afastamento da defesa dos direitos laborais. Significa apenas que o SIM entende que, neste momento, a resposta mais eficaz passa pela continuação da intervenção negocial, pela fiscalização rigorosa do cumprimento dos acordos já alcançados e pela preparação de formas de luta próprias sempre que estejam em causa matérias específicas da carreira médica e do funcionamento do SNS.
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