Esperada há muito, consumou-se hoje a demissão do Prof. Rui Nunes como Presidente da Entidade Reguladora da Saúde. O Ministro da Saúde agradece o campo aberto para a nomeação de um novo Presidente ou para a reformulação da própria Entidade e dos seus objectivos. Todos sabemos que nasceu torta, envergonhadamente pendurada num Diploma sobre Cuidados Primários de Saúde, por imposição explícita e pública do Senhor Presidente da República num contexto político muito diferente. Todos tomámos consciência dos constantes apelos mediáticos do Presidente da ERS sobre o funcionamento desta, e da alegada falta de apoio de toda a classe política. Todos sabemos agora que a estrondosa demissão não contem autocrítica. Pressupomos que o Ex-Presidente da ERS considera ter agido bem e os maus estão todos sentados nos Governos e na Presidência da República. Será assim? O facto é que a sensação externa, certamente injusta, é que o Presidente da ERS refilou muito, falou muito, mediatizou muito e fez pouco. Quanto ao papel primordial da ERS, a equidade e a acessibilidade ao SNS por parte dos utentes, nada. Preferiu o caminho mais simples: invadir competências de outros, tentando centralizar a avaliação da qualidade e da componente técnica, onde já têm poderes delegados do Estado, respectivamente, o Instituto da Qualidade em Saúde e a Ordem dos Médicos. O Presidente da ERS errou nos objectivos e construiu a sua própria calimérica crónica de demissão. Inevitável e talvez clarificadora.
Sindicato Independente dos Médicos
Notícias
CRÓNICA DE UMA DEMISSÃO ANUNCIADA
4 julho 2005
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